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O mapa da mina: a visão do neófito

Durante a vida, em várias ocasiões, surgem situações em que o indivíduo busca algo mais, muitas vezes, sem saber exatamente do que se trata. Ocorre o desejo de, como nos sonhos, sair voando por aí, livre, para onde a alma mandar.

O verdadeiro desejo de mudança ou transformação só surge de um inconformismo ou de uma insatisfação. A tendência do ser humano é manter o seu status quo, uma vez que é avesso a qualquer alteração em roteiro de sua vida. “Em time que está ganhando, não se mexe”, diz o ditado.

Porém, há outro ditado que fala que o ser humano só se move se a água estiver batendo nos quadris… E é deste tipo de motivação que pretendo tratar neste pequeno artigo. O que faz um indivíduo sair de sua inércia e se mover em direção a algo diferente ou maior? Se não houver uma finalidade, um objetivo, uma meta a ser alcançada, não há razão para sair do lugar.

Felizmente, o ser humano detesta se sentir limitado. As restrições levam ao inconformismo. A opressão, mal que volta a assolar a humanidade em seus mais diversos níveis, é o primeiro adversário a ser batido. Estar escravizado a compromissos ou ainda pior, ficar sem alternativas, é o que há de mais frustrante para qualquer um. Você pode estar cheio de compromissos financeiros ou dívidas, ou ainda, sobrecarregado de tarefas e responsabilidades profissionais ou familiares, sem tempo para si e os seus desejos pessoais. Apenas tomar consciência é suficiente para provocar uma reação, embora seja o primeiro passo.

Há quanto tempo não viaja com os seus familiares? Quando passeou pela última vez com seu cônjuge e filhos? Quando se dedicou às pessoas que ama de maneira espontânea e relaxada, sem o sentido de dever ou obrigação? O segundo passo é a entrega emocional. Dissolver as mágoas e ressentimentos é um passo importante, mas não suficiente ainda.

Qualquer mudança realmente importante depende de se livrar de hábitos, vícios e preconceitos. Apenas se tornando um “Novo Homem”, literalmente renascendo, é que poderá provocar as mudanças desejadas. É preciso criar um “vazio” para ser preenchido com o que há de saudável. O êxito nesta etapa poderá ser notado através de uma mudança na postura de seu corpo, geralmente mais ereta e franca, e um maneira tolerante de acompanhar o mundo à sua volta.

Mas se não houver uma finalidade ou nenhum passo tiver sido dado em sua direção, continuará dando voltas em torno dos mesmo problemas e questionamentos. É quando você começa a andar em círculos. Ou olhar à sua volta. E quando o faz, há três possibilidades: percebe que há pessoas muito bem sucedidas ao seu redor; ou aquelas que não estão nem aí e empreendem, vão à luta do que desejam; ou ainda, aquelas que parecem ter um objetivo distante, intangível maior do que si mesmas.

inerciaÉ hora de olhar para o diagrama ao lado. Representa a esfera Reino ou Malkuth, da Árvore da Vida. As cartas 10 dos Arcanos Menores do Tarot ilustram o que se passa neste campo da experiência, onde o objetivo é sair da inércia, desde que haja uma finalidade, uma meta, um objetivo.

Desta esfera, partem três ramos ou caminhos, cada um representado por uma letra do alfabeto hebraico e ilustrado por uma lâmina dos Arcanos Maiores do Tarot.

O caminho que parte do Reino em direção à direita corresponde à letra hebraica Tsadic e ao Arcano Mundo/Universo. A conotação das letras hebraicas é espiritual e uma das ideias desta letra é que o Eterno quer que nasçamos num mundo físico incompleto para melhorá-lo e isto só é possível ser agirmos escondidos, com retidão de caráter. O significado de Tsadic é “justo” e seu atributo é “oculto” ou “escondido”. E é este senso de justiça que faz do indivíduo um líder. Entretanto, esta liderança não é fruto apenas de uma benção mágica, mas principalmente de sua intervenção no mundo físico com o objetivo de torná-lo melhor.

Quando olhamos para o Arcano Mundo/Universo, vemos apenas o resultado, as realizações, sem imaginar ou supor quantos anos ou décadas foram necessárias para que o indivíduo se aperfeiçoasse para atingir esta condição de maestria em seu ramo de atividade. O Neófito vê apenas aquele ser “iluminado” sem saber da natureza e qualidade de suas experiências ao longo de sua vida. Num primeiro momento, este estado de consciência pode ser uma finalidade ou meta a ser perseguida, não acha?

Mas quando você não tem nada a perder, pode ainda olhar para a direita. O caminho que parte do Reino nesta direção é aquele da letra hebraica Kuf, ilustrada pelo Arcano Louco. Este é um bom caminho a seguir, pois as três linhas que formam esta letra representam o pensamento, a fala e as ações profanas, que ainda não podem ser consideradas sagradas. O Zohar associa esta letra à falsidade e à impureza. Kuf significa macaco, pois este animal, através da mímica, repete tudo o que vê.

Os significados desta letra convidam à transformação do instintivo em racional e, deste ao divino. O Louco nos lembra que qualquer caminhada começa com o primeiro passo, com uma atitude de pureza, com um vazio de intenções, um papel em branco para ser preenchido por novos pensamentos, intenções e ações rumo ao Eterno. Parece também um bom caminho a seguir.

Mas se desejar um caminho mais rápido e direto para ir ao encontro da finalidade de sua existência, terá de seguir em frente. A letra hebraica deste caminho é Tav, associada à verdade, à vida e à morte. Seu principal atributo é a humildade. O calcanhar do pé não tem conhecimento e nem sabedoria, mas aceita ser colocado dentro de um sapato, onde está escuro, para ir aonde a cabeça conduzir. É como aceitar os propósitos do Eterno em e para a sua vida. Os pés são os alicerces do corpo e da cabeça, da mesma forma que a humildade é o alicerce para qualquer senda espiritual ou criativa que pretenda para si ou para a sua vida.

A verdade costuma ser encontrada ao final da jornada, e não em seu princípio, o que reforça a necessidade da humildade. A imagem do Arcano Lua mostra-nos um caminho ladeado por duas torres, partindo de um poço, do qual não se distingue o seu final. A Lua só está Cheia e iluminada porque o astro-rei, o Sol, envia-lhe sua luz. Ou seja, as aparências enganam, mas é preciso ser humilde para seguir uma trilha sem saber para onde leva, mas com a confiança de nascer para uma nova vida, tornar-se um “Novo Homem”.

Embora seja um caminho direto, é o mais difícil dos três aqui abordados, pois implica em abandonar sua zona de conforto. Em Lucas, 14:33, encontramos: “Assim, aquele dentre vós que não renunciar a tudo o que tem não pode ser meu discípulo.” Esta mensagem ecoa em todos os caminhos ascendentes da Árvore da Vida e deve nortear a caminhada do Neófito, uma vez que a regeneração e a iluminação são conquistas individuais.

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  1. Diego
    16/03/2015 às 17:17

    Olá Henrique,
    Gray deixou alguma explicação do porque de cada atribuição? Pois ele usou o rider-waite e Waite fez parte da GD que usou atribuições aos caminhos bem diferente desta.

    Grato

    • 16/03/2015 às 17:24

      Sim. Está em dois de seus livros: Concepts of Cabala e The Ladder os Lights. Ele se baseou no significado de cada lâmina, tomada isoladamente em em seu conjunto. Estas informações também estão acessíveis em Vita Merlini, de R. J. Stuart, principal discípulo de Gray.

      • Diego
        16/03/2015 às 17:35

        Obrigadoo

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